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A JORNADA


Há muito tempo, numa antiga dinastia, havia um valente e famoso rei. Este, tendo ouvido falar de uma poderosa arma, repleta de virtude e maestria, a desejou em seu coração. 
Porém, como os rumores indicavam sua localização em regiões tenebrosas, repletas de perigos e desafios, decidiu convocar o mais simples de seus servos, aquele que seria facilmente descartável, para iniciar uma espécie de cruzada, cujo objetivo seria trazê-la para seu reinado.

O pobre servo deixou os limites do reino, carregando consigo apenas uma simples espada cega, um pedaço de pão e um cantil d'água.

Ele andou através de florestas, desertos, montanhas e mares. Encontrou inúmeras cidades, que nem estavam nos mapas de seu conhecimento. Conversou com pessoas de culturas totalmente diferentes da sua. Enfrentou desafios terríveis, como a fome, sede, frio, calor, desespero, doenças, angústias e frustrações. Se apaixonou e se decepcionou. Foi desafiado por salteadores, animais selvagens e outros cruzados, que também buscavam a arma sobrenatural, em prol dos diversos reinados da terra.

Após 37 anos, encontrou, finalmente, a gigantesca montanha na qual, em seu cume, dizia a lenda, repousava a mais poderosa arma de todas. Ao iniciar sua escalada, já muito cansado, pensou em desistir, tirar a própria vida, pois não aguentava mais. A montanha era extremamente alta, repleta de neve em seu topo. Ainda assim, insistiu e buscou forças. Afinal de contas, dedicara a maior parte de sua vida a este objetivo, e agora que estava tão perto, não poderia voltar atrás.

Depois de 68 horas, escalando, descansando, e sendo desafiado em seus mais intrínsecos limites, conseguiu chegar ao cume. A alegria tomou conta de seu coração! Lágrimas de felicidade, de satisfação, destinadas apenas ao mais puro senso de dever cumprido, escorreram em seu rosto, como correntes de águas cristalinas, em meio à pureza da neve.

Após se recompor, observou aquele ambiente e encontrou um baú, já bastante deteriorado devido ao tempo, ao lado do corpo de um homem congelado, cuja expressão transmitia a mais perfeita serenidade. Ao abrir o baú finalmente contemplou com seus olhos a lendária arma: Uma espada, velha e enferrujada, cuja fragilidade lhe exigiria o mais cuidadoso manuseio. Rapidamente a tomou em seus braços e retornou à sua terra, ao encontro do rei.

Ao chegar no palácio, foi recebido com júbilo, pois todos, principalmente o rei, acreditavam que ele havia falhado em sua missão. Foi realizada uma belíssima cerimônia, com a presença de todos os príncipes e governantes. O rei, já um pouco debilitado devido à sua idade, recitou as crônicas de seus antepassados e chamou seu servo para apresentar a todos sua mais nova (e poderosíssima) arma.

Aquele servo, trazendo consigo a espada que encontrara dentro do baú, se prostrou diante do rei, erguendo a mesma para que este a tomasse em suas mãos. O rei, ao ver aquela espada velha e enferrujada, tomado de um ódio súbito, a ergueu com toda a sua força, fazendo com que ela se despedaça-se em grãos, como se tivesse sido forjada de areia. Atônito, o rei perguntou a seu servo o que significava aquilo, e porque a arma mais poderosa do mundo, virara mero farelo em suas mãos...

O servo então, olhou nos olhos do rei, e lhe disse:

- Senhor meu rei, quando vossa excelência me convocou para iniciar minha cruzada, eu era um simples jovem. O mais desprezível de todos do seu reinado. Deixei tudo o que tinha, e atravessei vossas muralhas, apenas com um pedaço de pão, um cantil d'água e uma espada cega, além da roupa que vestia em meu corpo. Naquela ocasião, ainda pensava que minha tarefa seria fácil e que, em menos de um ano, retornaria para a casa de meu pai. Porém, os rumores que segui foram apresentando-se ilusoriamente, e não havia, em nossas terras, quem me indicasse o local de vossa poderosa arma. Atravessei desertos, florestas, montanhas e mares, nos quais conheci novas civilizações, que muito me ensinaram sobre a vida, e até sobre mim mesmo. Fui testado de todas as formas possíveis. Enfrentei desafios, inimigos mortais, doenças, medo. Conheci uma bela jovem por quem me apaixonei, mas também não obtive sucesso em seu amor. Os anos foram passando, até que, ao enfrentar outro cruzado que buscava esta mesma arma, derrotando-o, tomei posse de um mapa que me levou à montanha na qual ela estava. Enfrentei a própria morte para subir em seu topo, e lá pude sentir a verdadeira felicidade da vida, cuja experiência não encontro palavras para lhe descrever. Vossa arma estava dentro de um baú, ao lado de um homem congelado, cujo sentido de sua vida não faço ideia, mas que, ao contemplar a expressão de seu rosto sereno, pude compreender plenamente o sentido da minha. Agora, se o senhor me permite, gostaria de seguir com os meus afazeres.

O rei, ainda atônito, lhe diz:

- Eu ainda não entendo porque nos disseram que esta arma é a mais poderosa do mundo, se virou pó em minhas mãos?

O servo, humildemente lhe respondeu:

- Senhor meu rei, não sei qual serventia ela lhe trará... Mas, por causa dela, sei que estou preparado para vencer qualquer dificuldade, adversidade, batalha ou situação. Me conheço como poucas pessoas se conhecem a si mesmas, e tenho total domínio sobre as minhas limitações. Sei precisamente valorizar o que tenho, e o que deve, ou não, ser valorizado. 

Por causa dela, iniciei uma jornada que fez de mim uma pessoa virtuosa, não mais descartável. Em minha vida, antes de virar farelo, ela cumpriu seu desígnio.

Talvez, senhor meu rei, esta arma maravilhosa, seja forjada através do desejo sobrenatural daqueles que dedicam-se, durante anos, a vencer todas as barreiras, para conquistá-la. Para mim, o manuseio desta poderosíssima arma, em meu coração, destrói meus maiores inimigos: Medo, Desesperança, Angústia, Falta de Auto-confiança, Falta de Auto-conhecimento, Tristeza, Dor e Sofrimento.

O rei, então, prostrou-se, em prantos, exclamando: ENSINA-ME!! ENSINA-ME!!!!

E o servo respondeu:
- Siga a sua jornada, porque nela, Deus vai te ensinar tudo o que lhe for essencial

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.  (João 14:6)

Fonte: Pastor Fabio Bellas (Facebook)

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